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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Voltando, de novo...

Estou voltando, outra vez...

Surgiu novamente a necessidade de voltar a escrever, na verdade sempre sinto, mas vou adiando, adiando... Mas dessa vez, não tinha como adiar mais. Estou grávida novamente, de 15 semanas, muita coisa acontecendo, muitos sentimentos, sensações e novidades: Registrar é preciso!

Além de registrar esses momentos, e sendo ativista do parto humanizado, estudante de psicologia, pseudo Educadora Perinatal (pq fiz o curso no GAMA ano passado, mas exercer ainda nada) e tentando exercer uma maternidade mais questionadora e consciente (e compreendendo isso como um papel social também, afinal os filhos são para o mundo, né?), sinto a necessidade de compartilhar essas experiências e informações! E convido quem quiser a compartilhar também.

Meu último post foi sobre o relato de parto do Érico, acho que não escrevi mais depois disso, pois a sensação que tive foi como o fechar de um ciclo. Um ciclo de um ano, de um nascimento, um puerpério e um bebê e todo seu desenvolvimento e demandas, que me fez renascer - ou que me fez dar os primeiros passos para este renascimento. Aquela que pariu o Érico há quase 3 anos definitivamente não é a mesma que está gestando e vai parir esse segundinho que está vindo... E a cada dia mais venho aprendendo e mudando com eles.

Ainda quero retomar o relato de parto, fazer algumas considerações, falar das fichas que caíram depois, do que foi mudando sobre o meu entendimento sobre ele. Preciso fazer isso para fechar um novo ciclo, e poder me entregar para o próximo parto de forma mais fluida, com menos medos, com mais "sentir" e menos "racionalizar".

Sobre a nova gestação, está sendo diferente os medos, as sensações, os enjôos, dores de cabeça (literalmente), e também a segurança, as mexidinhas (recém sentidas), a conexão com o bebê e o meu corpo. Vejo esse "sentir" de forma muito boa e gostosa... É bom "sentir", seja lá o que for... Na gestação do Érico não senti muita coisa, eu queria sentir e entender só pelo lado externo: livros, sites e ecografias que me diziam sobre meu filho. Dessa vez, sigo lendo e buscando informações pois são importantes, mas estou tentando acessar mais a via interior: Menos ecografias, não desejando saber sexo, lendo menos sobre desenvolvimento fetal e não assinando o babycenter (rsrsrs). Sim, está sendo diferente.

Sobre o Érico, ele está numa fase muito boa, tranquila e adora o "mano". Beija a barriga, conversa, diz que vai tocar guitarra pro "irmão", que vai pegar no colo e cuidar (muita fofura para um corpinho só... hehe). Passado a fase dos terrible twos, segue com muita vontade própria e muita determinação quando quer alguma coisa e não é possível (ou teimosia/ birra como quiserem chamar... hehe), mas de forma relativamente mais madura e tendo um pouco mais de percepção e controle sobre isso (claro que estamos falando de um menino de quase 3 anos).  Está na Escola Caminho do Meio, no Centro Budista e foi uma das melhores coisas que fizemos por ele este ano. Acho que essa tranquilidade, amorosidade e uma percepção maior sobre seus sentimentos e vontades tem muito a ver com a Escola e com a pedagogia desta.

2013 foi um ano muito bom... Fizemos férias deliciosas, uma festinha de niver pro Érico muito gostosa, 2 semestres de faculdade, um curso de educadora perinatal e novos planos profissionais, um casamento cada vez mais forte e cheio de amor, uma nova gestação e um pai que me surpreendeu muito (positivamente, claro!), indo nas consultas com o Obstetra, apoiando o nosso plano de parto e a ideia de não saber o sexo do bebê, além de muito participativo, muito presente, companheiro e inspiração pro nosso músico, skatista e ciclista. E com certeza pro próximo (só vamos descobrir depois as vocações, hehe).

Me desejem inspiração e que eu não desista do blog de novo. Tenho muitos planos pra ele! Aceito dicas e sugestões!


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Relato de Parto do Érico (e da mãe)



Minha história com a humanização do nascimento, assim como é para muitas, começou meio que ao acaso: com uma reportagem na Zero Hora, sobre doulas, que uma amiga me mostrou também meio ao acaso. Confesso que na hora achei muito legal, mas também achava que não era pra mim, que era pra quem podia “pagar por algo tão supérfluo”, afinal, pra que uma doula? Apesar desse pré-conceito a semente estava plantada. E ela foi cultivada e florescendo na medida em que eu buscava informações.

Primeiro filho, muitas descobertas, novas experiências. O tão temido parto agora era realidade. Não havia como fugir disso, o bebê entrou, ele tem que sair. Na época, o Orkut era muito utilizado, acabei entrando numa comunidade sobre “Gestação e Parto” e encontrei ali um universo que eu desconhecia e informações que não eram lá muito divulgadas e que faziam muito sentido. Minha mãe sempre me disse que parto normal era melhor, contudo, as histórias sempre vinham carregadas de intervenções, que eu (nós) considerávamos “fazer parte do pacote”, normal, né? Episiotomia, enema, tricotomia, parir deitada... Epa, perae? As mulheres desta “comunidade” falavam que nada disso era de fato necessário e recomendado, que a mulher tem o direito de escolher como deseja seu parto a partir de outras evidências e estudos científicos, e principalmente, a partir das suas necessidades. Falavam que esse era um momento lindo, de transição, cheio de significados e que estava sendo banalizado através das cesáreas e partos (a)normais – medicalizados em excesso e desrespeitosos às subjetividades da parturiente e bebê. E as doulas estavam no meio disso tudo! Foi aí que entendi a importância dessas mulheres e profissionais nesse momento grandioso! Do quanto é importante o carinho, as informações e o suporte físico e emocional de quem entende deste momento. Não é raro elas se tornarem nossas amigas depois desse processo todo, pois são muito intensas essas vivências Né, Zezé?

Fui a caça então de uma doula e achei a Zezé e o seu Grupo de Apoio Nascer Sorrindo. Nos falamos primeiramente por email, fui a dois encontros do Grupo antes de começarmos nossas aulas de Yoga e a doulagem. Eram aulas maravilhosas, regadas a muuuuuita conversa! Formamos um vínculo muito legal e que foi muito importante na hora do parto.

Quanto mais informações eu buscava, mais a humanização do nascimento fazia sentido e me encantava – e ainda me encanta. Cada vez mais eu me empolgava e desejava dar um nascimento respeitoso ao meu filho e a fisiologia do meu corpo. Não queria intervenções desnecessárias, e se tivessem que ocorrer que fossem então avaliadas em conjunto, afinal o parto era meu, no meu corpo. Para mim isso fazia tanto sentido e era tão lógico que eu queria conversar com minha obstetra para “montarmos” o meu parto, de acordo com as minhas vontades e necessidades e com o devido respaldo médico. Nem a minha nem a vontade dela imposta, sem diálogo. Enviei para ela, por email, diversos links de vídeos, notícias, artigos e reportagens para iniciarmos uma conversa em consultório, entretanto, nossa conversa se tornou um interrogatório. Eu perguntava, ela respondia brevemente e a conversa não engrenava. Ela acabou se mostrando um tanto inflexível, tinha que ser do jeito tradicional e “seguro” (pra quem?): episiotomia talvez, parir deitada óbvio, doula nem pensar. Saí do consultório super arrasada e inclinada a trocar de obstetra, só faltava encontrar um. Passei por um período de vários questionamentos, conversei bastante com a Zezé sobre eles, o quanto pesava a troca de um médico com 24 semanas, o que eu diria para minha família, se eu não estava “inventando moda”, e como era difícil nadar contra a maré em busca de algo primordial que é um parto respeitoso e que correspondesse as minhas necessidades.

Troquei de obstetra então, para a Dra. Ana Cláudia, que já na primeira consulta atendeu a todos os meus anseios. Ela me deu carta branca para fazer o meu plano de parto, ter plano A, B, C, D... Z e poder mudar tudo na hora “P”. Gosta, incentiva e trabalha com a presença da doula, não faz episio de rotina, e se tivesse que fazer alguma intervenção, nós avaliaríamos em conjunto. Nem preciso dizer o quanto saí encantada e segura com a postura dessa profissional. Era quem eu precisava para me acompanhar nessa trilha de gestação e parto.

A gestação seguiu super tranquila, trabalhei, fiz yoga e minhas atividades diárias praticamente até o fim da gestação. Me sentia preparada, sabia o que eu queria e não queria. Mas uma coisa me incomodava: não saber como seria a tal da dor. Por que em nenhum momento o parto natural e humanizado diz que a dor não vai existir, e sim que ela é aliviada com métodos mais naturais e significada como parte do processo de ter o seu filho nos braços. E que ela seria minha, só minha. Que ela revelaria minha história e minhas subjetividades principalmente aquelas bem guardadas e escondidas.

Com 39 semanas e 3 dias as contrações começaram com ritmo espaçado e pouca dor. Nesse mesmo dia saiu um pedacinho do tampão. Eram sinais... eu sabia que ele finalmente estava chegando, e que eu iria conhecê-lo, cheirá-lo, abraçá-lo!

Já fui avisando a doula e a médica de que as coisas estavam tomando jeito de trabalho de parto. A noite fui jantar na sogra, com contrações suportáveis e disfarçáveis. A médica ligou avisando que viria da praia pela manhã e eu fiquei morrendo de medo que a coisa engrenasse e ela não chegasse a tempo. Fui para casa, relaxei e as contrações começaram a ficar mais doloridas. Não consegui dormir, pois cada uma que vinha eu dava um salto da cama. Caminhava dentro do apartamento, ia pra internet – até contador de contrações eu usei... Tentava descansar de novo, saia pulando na contração... E assim passei a madrugada.

Pela manhã as contrações diminuíram o intervalo, mas ainda não tinham pego o ritmo. Eu e o maridinho tomamos café, fiquei escutando música, olhando TV. Confesso que meu humor não era dos melhores, afinal era tudo novo, tão dolorido e eu não estava lindando tão bem como eu gostaria. É, a tal da história que vem a tona... Eu era (e ainda sou) menos corajosa e tolerante do que eu imaginava.

Lá pelas 13h a bolsa rompeu, e a dor das contrações deram uma aliviada. Liguei para meus pais (que iriam me levar pro Hospital), dando notícias e que não se preocupassem que mais tarde eu ligaria para efetivamente irmos para o Hospital. Liguei para a doula também pra ela ir pra nossa casa, que agora sim o TP estava engrenado. Fui almoçar e meus pais chegaram, preocupados, prontos para me levar. Disse que não se preocupassem, que ainda tinha tempo, que estava tudo sob controle. A doula Zezé chegou em seguida e fui para o chuveiro.

Fiquei acho que 2 horas ali, na bola, conversando, vocalizando... Finalmente consegui me entregar e as contrações ganharam o ritmo necessário para irmos então para o hospital. Ligamos para a médica e combinamos de nos encontrarmos lá. Eram 18h30min quando chegamos, a médica foi se preparar, o marido fazer a minha baixa, eu e Zezé para a sala de pré-parto (que ficou sendo de parto). Passei antes pela admissão, aventalzinho, exame de toque: 6 cm, pressão 15x9, que a enfermeira logo disse que estava alta. (hello? Alta o carai... estou em TP, lembra?). Ali reafimei a importância da presença da doula. Na boa, se ela não tivesse ali, eu estaria sozinha ou na companhia de estranhos lidando com aquela dor f****da, sem que deixassem eu tomar uma aguinha sequer e passando por sei lá mais quantos protocolos de admissão... provavelmente já teria pedido anestesia, já estaria deitada, com sorinho de ocitocina e já consolada com a episio que iria ser feita, ou então achando que a cesárea não era tão ruim assim!

Fui pro chuveiro, bola, pedi pra desligarem o ar, caminhei, ganhei massagem, palavras de incentivo... A essa altura o marido já estava ali também me apoiando, e observando tudo um tanto assustado e encantado. A médica pouco interviu, fez apenas algumas auscultas e um toque mais: 9cm com rebordo. Ali a fase foi crítica. As contrações estavam praticamente insuportáveis! Sinceramente, não consegui despertar minha fêmea interior, só aquela Josi mais frágil e medrosa, que não gosta de sentir dor e que queria fugir dali. Analisando hoje melhor, embora eu tenha conseguido parir sem anestesia, preferia tê-la nesse momento, um pouco que fosse pra poder curtir mais o momento, e que não tirasse a minha mobilidade. Mas também faltava tão pouco, e com ela os brindes “parir deitada+episio” tinham grande possibilidade de aparecer. Sei lá, não tenho ainda conclusões sobre a anestesia.

Enfim, fui, na cara e na coragem. O expulsivo foi rápido, me posicionei de joelhos, abraçada na cabeceira da cama que foi levantada. Senti tudo arder lá embaixo, gritei, quase chorei, e acho que me desesperei. Ainda pensava “que merda que fui me meter”, “ainda faltam os ombros”, “PQP”, “acaba logo”... E daí meu filho nasceu, às 22h27min, com APGAR 10/10. Na boa, eu estava tão desnorteada que eu nem sabia o que fazer, o que pensar, o que sentir. Achei que eu ia chorar de felicidade, de emoção como nos relatos... Mas eu não chorei, peguei meu filho sem saber muito o que fazer, o olhei... Em seguida cortaram o cordão e o levaram. Enquanto levavam para os primeiros procedimentos, a médica me examinou e não tive nenhuma laceração, não levei pontos.

Quando ele voltou, já menos desnorteada, consegui admirá-lo com mais calma, dei o peito, ele ficou me cheirando, não chegou a “mamar” efetivamente. Os sentimentos naquele momento eram intensos e misturados... Alegria do nascimento, dor do parto e pós parto, felicidade de ter meu filho nos braços, decepção de não ter dado conta tão bem como eu achava que conseguiria... Ate hoje não consigo definir esse momento. É algo muito marcante e diferente de tudo já vivido. Depois desse primeiro contato, o levaram novamente para o banho e para o bercinho aquecido. (É, não procurei um pediatra na linha mais humanizada e ele passou pelos procedimentos de rotina. Fica a dica para a próxima vez e para quem está buscando o seu parto.) Mas, apesar disso, o pediatra até que foi legal, e ele ficou bem pouquinho longe de mim. Em seguida veio ficar comigo, no meu peito, no meu colo... Doula e médica se despediram, ficamos mais um tempo e fomos para o quarto direto, sem sala de recuperação. Tomei banho com a observação de uma enfermeira, não tomei nenhum medicamento pra dor, estava bem e disposta para cuidar do filhote, que já de cara pegou gosto pela coisa e mamou a noite toda.

A partir desse dia nunca mais dormi, nunca mais fui a mesma, revi todos os meus conceitos, amigos se aproximaram outros se afastaram, abri mão de muita coisa, chorei muito, ri muito, tenho aprendido muito... descobri que minha vida era muito vazia e sem graça antes dele chegar. Descobri o Amor mais puro, lindo, sincero e incondicional que há! E nunca fui tão feliz e completa como sou hoje.

Sobre o parto? É um grande divisor de águas, sim. E vale muito a pena ir atrás daquilo que se acredita!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lembranças pra guardar

E o final de semana foi ensolarado, tanto no clima, como no coração... Fomos para o parque, aproveitamos a natureza, a temperatura gostosa, o sol... Em casa ficamos em família, nos curtindo... É tão gostoso ver o Érico brincando e sorrindo feliz... Caminhando com seus passinhos de bêbado, mas firmando-se a cada dia, ganhando autonomia. Meu bebê já não é mais tão bebê, e deixará de sê-lo a cada dia... Por um instante, quis guardar esses momentos numa caixinha para poder revivê-los mais adiante, quando ele já for alguém com suas vontades e opiniões, dono de si mesmo e sentir saudades desse bebê tão dependente do meu colo, do meu cuidado e do meu amor. Guardar o som da sua risada, o aperto do seu abraço, a espontaneidade, a brincadeira despretenciosa, simples e divertida. O tempo tão bom, e tão cruel, leva e trás esses momentos simples de felicidade, e apaga os momentos difíceis, deixando "apenas" um novo aprendizado e grandes lembranças.


É ou não é o amor da mãe?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Novidades!

E eis que as noites de sono ininterruptos chegaram! Nem vou me gabar muito, vai que... Pois bem, faz uma semana que o Érico dorme lá pelas 22h30min e acorda lá pelas 6h-7h. Em nenhum momento deixei de dar o mama da madrugada, como muitos condenam, alegando que a criança acordaria para mamar e por isso não dormiria a noite toda. Sempre acreditei, e lendo relatos de outros blogs, que cada criança tem um tempo, um amadurecimento em ritmo diferente e que cada fase começa e termina de forma natural e progressiva. Claro que as vezes temos que dar uma mãozinha, mas quanto menos abrupta (ou com o mínimo ou nada de intervenção)for essa transição melhor! Sem atropelos! A criança que tem o seu tempo respeitado acaba se tornando mais segura e tranquila do que quando "forçada" a ser "independente" antes do tempo, ou ter que suportar uma fase na qual não está preparada.
Em certos momentos, claro, que fiquei insegura quanto a isso, pois não é fácil ficar mais de 1 ano sem dormir a noite toda, escutando do "senso comum" que amamentar antes de dormir e de madrugada prejudicaria o sono. Ele não sabe dormir de outra forma, amamentar é o nosso momento de carinho e é tão mais prático - e funciona pra nós. Esse "funciona pra nós" é que também é importante entender, pois cada família tem um arranjo que dá mais certo e não há problema nenhum também, em modificá-lo com o tempo, caso necessário. Em time que está ganhando, pra que mexer, né?
Pois bem, estou feliz de ver que meu menino está amadurecendo no seu tempo, sem ser forçado a nada, naturalmente, conforme acredito. E estou feliz obviamente de dormir uma noite TO-DI-NHA, como há tempos venho sonhando!
E quer saber, não existe "mantra" mais perfeito pra maternidade (e pra vida) do que o velho "tudo passa"... Mas é bom lembrar que isso inclui as coisas boas também... Por isso, vamos aproveitar cada fase com suas dores e delícias por que passa mais rápido do que a gente pensa!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Meu desejo pelo segund@ filh@

                Desde que fomos morar juntos, nosso desejo por ter filhos era adiado: depois de termos uma casa, um emprego melhor, terminar a faculdade, se estabelecer na profissão, curtir a vida, viajar bastante... Ou seja, pra depois dos 30 e tantos anos (meus).  Claro que a vida teria que nos pregar uma peça, pois desse jeito deixaríamos a paternidade para um futuro tão distante e idealizado que ela nunca chegaria. A gravidez chegou junto ao nosso início de vidas acadêmicas, estávamos morando de aluguel, não chegamos a fazer nenhuma viagem dos sonhos -  fomos no máximo até Garopaba/SC poucas vezes... Isso tudo ficou muito pequeno diante da bela novidade, diante da alegria de termos nosso primeiro filho. Esquecemos como um passe de mágica de todos os motivos de adiarmos a chegada de um filho, pois isso não mais importava.  Desejamos, amamos, curtimos todo o instante desde o anúncio da chegada do Érico (que podia ser a Helena). Remodelamos toda nossa vida para esse momento. Fiz 1 semestre da faculdade, tranquei outro, retomei com poucas cadeiras, esse semestre farei um pouco mais... O papai continuou a faculdade normalmente, mudou para um emprego melhor. O quesito "casa" foi previamente solucionado pelos meus pais. Viajamos para o Rio de Janeiro, mas essa viagem não conta muito, pois foi quando tiramos nossa carteirinha VIP da FUNAI – programa de índio foi pouco!
                Enfim, nossa vida mudou, na minha opinião, para melhor. Nosso filho é o que temos de mais precioso. Não fizemos a metade do que planejamos, porém, estamos fazendo tudo aos poucos e o melhor, com o Érico junto. É mais trabalhoso, sem sombra de dúvidas, mas o amor que sentimos por aquele menino dos olhos de jabuticaba fazem tudo valer a pena, além de claro, alegrar nossos dias e nos motivar a nunca desistir.
Então, pergunto, qual o intervalo ideal entre um filho e outro? Nem questiono ter ou não outro filho, pois para nós isso já está resolvido. A questão é, por que não começar a planejar a ter outro? O debate é longo, há vários motivos para se ter logo em seguida, daqui 5, 10 anos... (Em tempo, esse é o tema da semana Mamatraca. Vale a pena ir lá conferir).  Entretanto, quero falar o que me motiva a desejar um@ maninh@ pro Érico, para logo.
Depois que o Érico nasceu, o segundo filho passou a fazer parte daquela lista de pré-requisitos inicial: faculdade, trabalho, casa, Eriquinho crescer, etc. Ou seja, o momento ideal para nós é (seria) este. Contudo, há um tempo atrás achei que pudesse estar grávida. E tudo se repetiu, novamente. Todos os motivos para se adiar um segundo filho perderam a importância diante dessa possibilidade. Em mente já tinha dado jeito em tudo. Só estava meio inconformada que nasceria no meio do semestre... hehehehe... A mente foi longe mesmo. Comecei a me apegar a ideia, até que a suposta gravidez não se confirmou. Daí me dei conta, por que não?
- Seria muito bom dar um@ irmã@ para o Eriquinho, eles cresceriam juntos, aprenderiam a dividir, compartilhar (e brigar também).
- Ele não se acostumaria a ser o Reizinho da casa e depois perder o posto (ele sentiria muito mais).
- Eu me sinto muito mais preparada para ser mãe novamente, do que quando fui pela primeira vez – embora digam que nenhuma gestação/ filho é igual a outro, mas acredito que experiência conta muito, sim.
- Poderia curtir muito mais, sem tantas neuras e preocupações, pois já sei o que vem pela frente.
- Já estou no ritmo – acredito que é o baque é maior quando voltamos a ter a vida “no controle” para perdermos novamente – estou há 1 ano sem dormir, o que seria mais 1, 2 ou 3 – ou o resto da vida? Ou seja, passa-se trabalho de uma vez só, depois de um tempo as fases são semelhantes, criam-se juntos.
É o que penso, de momento... Se vai se tornar real, não sei, são apenas suposições, tem ainda outras tantas coisas para pensar. Se eu vou ter outro filho e querer enfiar esse post nos zóio de quem pensou e escreveu tudo isso? Não sei... Se eu vou me arrepender amargamente e me lembrar por que jurei pra mim, durante os primeiros meses de vida do Érico, regada a muito baby blues, que nunca mais teria outro filho... Não sei.
Vamos ver o que a vida me diz... Cada coisa em seu lugar e tudo a seu tempo...

Praia, Clube e Rotina

Este final de semana fomos a praia. Foi um final de semana de muito sol, brisa fresquinha, nada de muito calor. Aproveitamos a piscina e não vimos o mar, que dizem por aí, estava muito lindo - e pasmem - com a água morninha! Não gosto muito de ir a praia com o Érico, ele fica sem paradeiro, come areia, toma sol além da conta, e nós, pais, reles mortais que desejamos apenas tomar um sol e descansar, nos cansamos mais do que a semana toda trabalhando. Por isso optamos pela piscina. É tudo limpinho, ele brinca horrores na parte rasa, engatinha, fica de pé, caminha um pouco, cai de novo, mergulha toma um caldinho... Papai e mamãe brincam juntos com o filhote, se revesam para descansar, tomar sol, mergulhar e/ou tudo junto. É só alegria!
Mas é claro também que nem tudo são flores, Eriquinho adora a função, mas não sabe aproveitar ainda a quebra de rotina. A gente vai pra praia para isso, geralmente, porém o pequeno está tão acostumado com a rotina (da escola) que quando sai dela fica um chato: Não quer comer e ser contrariado, se joga, fica bravo, chora... Uma simples troca de fralda vira um tormento  E mamãe se escabela canta o mantra, dá colo, teta, insiste, desiste, muda de tática, faz cara de paisagem, e tudo acaba se resolvendo de um jeito ou de outro com menos comida e rotina e mais colo e mama.. Um dia ele aprende, vai achar legal e vai querer sempre. Ai que medo.

PS: Quando chegou em casa, Eriquinho mandou ver na bóia, ficou um tempão brincando no chão e no cercadinho, tomou banho, mamou e dormiu como um anjo. Lindo, né?

E o mundo foi salvo mais uma vez!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Atualizando...

Minha última postagem foi em Outubro, depois disso nada... Que feio, Josi... Tu disse que ia retomar e atualizar o blog!!!  Mas é que... é que... ahmmm... falta tempo, vida materna, filho, trabalho, estudos, casa...

Bom, mas eis que o ócio tempo aparece, assim como a inspiração, e aqui estou pra falar um pouco, de que, de quem? Adivinhem? Maternidade e Érico! (óbvio)

Durante esse tempo devo ter rabiscado pelo menos uns 5 posts e nada de publicar (sempre esperando o post perfeito, do jeito perfeito, escrita perfeita... Acorda, Alice!! Você não é perfeita). Estava lendo meu blog hoje, depois de ler todos os que eu amo muito, e vi que meus post anteriores não eram tão ruins assim. Eles são como vinho, ficam melhores com o tempo. Por que a gente muda, e é legal ver a espontaneidade do momento. Assim, simples e sincero. Essa é a graça. E cá estou!

Sobre o Érico lindo que fez 1 ano no último dia 15/02: Fizemos um Pic Niver na praia, no domingo de carnaval, só para os poucos chegados que estavam ou foram a praia. Achei melhor não fazer nada muito grandioso, já que ele é pequeno e o risco dele se aborrecer com muita gente o apertando e dizendo que ele é fofo e tem os olhos mais lindos do mundo, era muito grande. Então nada de mega produções. Fizemos um pic nic, com frutas, sucos naturais, cestinhas, salgadinhos assados, cupcakes, bolinhas de sabão, varal de fotos, bandeirinhas de tecido. Praticamente tudo feito em casa. Nada de balões e personagens comerciais. Nada de refrigerantes, copos, talheres e pratos descartáveis, embora tenha sido gerado mais lixo do que esperava. (Pelo menos tentei.). Pedimos aos convidados que ao invés de presentes fizessem uma doação a Creche da Tia Lolô, aqui de Viamão. Porém, surpreendentemente, embora tenha dado uma ótima repercussão, a adesão foi baixa. Quem sabe o próximo aniversário? E ele, meu filho lindo fofo amado, aproveitou bastante o clima íntimo da festa. Se soltou bastante, ficou de pé sozinho várias vezes. Só não chegou a arriscar os primeiros passos (acabou fazendo isso uma semana depois). Brincou, riu, rolou na grama, andou de pés descalços... Curtiu a festa como um bebê de 1 ano. E mamãe aqui deu a missão como cumprida.
Como falei anteriormente, 1 semana depois exatamente, arriscava os primeiros passos a curtas distâncias... Nova fase, começando a ganhar o mundo com seus próprios pés, no alto da sua maturidade de 1 ano!! Quanto medo orgulho a mamãe sente, filho! Há 1 ano era um bebê totalmente dependente, chorãozinho (pensando hj, ele nem chorava tanto assim), dorminhoco (pensando bem, ele nem dormia tanto assim quanto eu queria), não sabia nada da vida (nem eu sei)... Nesse período aprendeste a fixar os olhos, segurar a cabeça, segurar objetos, virar de bruços, engatinhar, levantar, caminhar, se comunicar, se alimentar... É bastante coisa pra um ano, hein? (isso que mamãe nem listou a décima parte!). Ah, durante esse ano não aprendeste dormir a noite inteira (para consolo de algumas mães que acham que estão fazendo algo errado pois o bebê não dorme a noite toda), mas também não acorda de hora em hora (Ufa!) como em outras épocas. Mama no peito (óbvio), vai na escola, adora crianças e a Chica. Adora o violão e quando o papai toca (e toca por conta, mas papai não pode saber). Tem os olhos mais lindos e expressivos  do mundo (opinião unânime) que parecem jabuticabas. Cortou o cabelo pela segunda vez (a primeira não conta muito que foi a mamãe que tirou uns excessos). Troca todo mundo pela Mamãe. (Tá, vô João e dindo Didio, já perdi pra vcs algumas vezes). Ás vezes me escondo paras as pessoas pegarem e curtirem ele um pouco (faz amizade fácil, o menino), pois, modéstia a parte, não tem páreo pra mamãe (e suas tetas).

Quanto a mim... Sou babona mesmo, coruja, preocupada, chata ás vezes, mas discurso mais do que pratico. Apaixonada por esse gurizinho que colocou minha vida de pernas pro ar, e que me faz repensar todos os conceitos de vida, felicidade... Me fez ver que minha vida antes era moleza, mas que agora é muuuuuito melhor, mais divertida, alegre, intrigante, bagunçada e interessante. Adeus monotonia! Sejam bem vindos os desafios! Mas venham com calma, por favor, pois tenho muita preguiça de sair da minha zona de conforto (até por que já estou me acostumando com essa loucura que é ser mãe)!!!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Nossas superações...


Essa noite foi uma daquelas tantas mal dormidas... mamadas, "espinhos no berço", choro, ninar, embalar...  Das 7 horas de sono, devem ter restado umas 4 ou 5. E ainda tive que acordar cedo pra trabalhar. Acordar? Não precisei pois já estava acordada nessa função há pelo menos 1hora e meia, atendendo o Eriquinho que estava com dificuldades para dormir. Óbvio que ele ferrou no sono só na hora da mamãe ter que ir trabalhar. Pegadinha? Não, coisas que acontecem não pela primeira nem pela última vez! É claro que a crise bateu, a crise do ciclo revolta-culpa-amor incondicional. Mas como toda crise acontece não por acaso e sempre nos leva a reflexão, resolvo escrever minhas percepções.

Percebi que a gente evolui mesmo quando se é mãe. E nesse caso, particularmente acho, que para melhor. Antes de ser mãe, se eu não desejasse passar por um desafio, uma situação difícil, arriscada ou dolorosa - e pudesse, simplesmente não passava. Fugia, me esquivava, parava tudo, dava um jeito. Sabemos o quanto os desafios nos fazem amadurecer, crescer e evoluir. Quantos amadurecimentos soneguei nessas fugas? Quando se é mãe, não há escolha: o desafio TEM QUE ser enfrentado, não dá pra dar "jeitinho", é com a gente a coisa, e com mais ninguém.
Meu primeiro desafio - e amostra do que me esperava como mãe - foi o parto. A dor...  não aguentava mais, queria sumir, acabar com tudo, ir pra casa... mas não tinha como, EU é que tinha que me superar e superar a dor e todos os meus medos para meu filho nascer. Era comigo, o desafio era meu. Se fosse em qualquer outra situação, eu teria desistido e me privado do melhor momento da minha vida. Ele nasceu, lindo, saudável, através de mim... Consegui! Quando o recebi nos meus braços, tudo fez sentido... Descobri que esse amor era capaz de muitas coisas e que minha vida nunca mais seria a mesma. 
Essa é a maternidade, um constante superar e se superar a cada dia, por esse amor. Superar as crises de choro, a privação de sono, a falta de tempo, o medo de estar errando... Dói sim mudar, sair da zona de conforto. Tem resistência, revolta, crise, choro, medo, culpa... E o famoso "ninguém disse que ia ser fácil!".
Em compensação, a vida ganha outro sentido e cores. Problemas menores não nos atingem da mesma maneira, ficamos mais fortes, melhoramos, evoluímos... Nossos valores mudam, vivemos tudo de maneira mais intensa... É tão bom ver eles crescendo e se desenvolvendo, demonstrando aos poucos suas particulariedades, seus jeitinhos, as demonstrações de carinho e alegria quando nos veem... É maravilhoso e um privilégio amar esses pequenos...

Se pudéssemos sempre evitar a dor, quantas alegrias deixaríamos de viver?
Esse é o grande poder da maternidade e do amor...


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Plano de Parto


Em todos os sites e blogs que já visitei, o Plano de Parto sempre está lá... E não é a toa, pois é muito importante conhecer todas as opções, assim como os riscos e benefícios de cada procedimento ou atitude que podem ser adotados no momento do parto e então poder fazer escolhas (conscientes) de acordo com a suas próprias necessidades. Lembrando: não somos máquinas e/ou linha de produção para termos atendimento sempre igual, padrão; cada mulher tem sua personalidade, história, subjetividades e necessidades diferentes!
Quando li pela primeira vez todas as opções que tinha,  fiquei mais uma vez impressionada e motivada a fazer esse plano, pois não queria passar por nenhum procedimento desnecessário - não era raro ouvir que histórias de episio, enemas, tricotomia, etc e ver que nada disso era de fato necessário e que também não era o que eu gostaria de passar.
Quando levei minhas ideias para a obstetra que me atendia, ela não se mostrou nenhum pouco flexível e nem aberta para falar sobre os meus desejos e vontades. Parecia mais um interrogatório as nossas consultas do que um diálogo. É aquela velha história: "Cuida do enxoval, que do parto cuido eu." (ela não precisou me dizer isso, mas era o que entendia). Com 24 semanas troquei de obstetra - para a Dra Ana Cláudia Codesso - e fiquei já maravilhada na primeira consulta com a conduta dela - totalmente a favor da liberdade de escolhas, me deu carta branca para agir e me posicionar como desejasse durante o parto e disse que qualquer intervenção possível seria informada e avaliada em conjunto. Me incentivou a fazer o Plano A, B, C, D... E me respeitaria e entenderia se na hora quisesse mudar tudo. Meu plano de parto acabou não indo para o papel, mas tudo aconteceu como eu desejei. Não sofri nenhuma intervenção, a doula e marido estiveram comigo me acompanhando, me movimentei durante o trabalho de parto, pari na posição mais confortável para meu corpo... Enfim, me senti livre, segura e amparada para receber meu filho. E isso faz uma grande diferença.

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Por que fazer o Plano de Parto?

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"A gestante/parturiente tem o direito de participar das decisões que envolvem seu bem estar e o do bebê que ela está gestando, a menos que haja uma inequívoca emergência médica que impeça sua participação consciente. Ela tem o direito de saber exatamente os benefícios e prejuízos que cada procedimento, exame ou manobra médica pode provocar a ela e/ou ao seu bebê.
Todas essas informações devem ser fornecidas com base nas evidências científicas. Abaixo você poderá se inteirar das variáveis que acontecem no atendimento ao parto, sobre as quais você pode ter alguma influência. Ao lado de cada variável, procedimento ou atitude, segue uma explicação baseada em evidências científicas.
Esses detalhes podem fazer uma grande diferença para o seu parto, tornando-o uma experiência mais intensa e enriquecedora para toda a família. Analise-as com cuidado junto ao seu parceiro e explique ao seu médico o quanto elas são importantes para você."




DURANTE O TRABALHO DE PARTO

Você Quer?

1) Presença de um acompanhante de sua escolha durante todo o parto, da admissão ao nascimento.
Explicação: Elimina o estresse da separação. Seu parceiro pode provê-la com suporte emocional durante o trabalho de parto e durante todos os procedimentos necessários. A presença do pai propicia a formação dos laços familiares com o novo membro que vai nascer. É direito garantido por lei federal.

2) Presença de outras pessoas da família ou amigos durante o trabalho de parto e parto.
Explicação: A presença de outras pessoas da família ou amigos pode significar mais apoio para você e seu parceiro. Não há aumento na incidência de infecções, desde que essas pessoas não apresentem sinais de doença (por exemplo, coriza ou diarréia).

3) Lavagem Intestinal (Enema, Fleet-Enema, Enteroclisma).
Explicação: A lavagem intestinal é desconfortável e desnecessária se você teve funcionamento normal do intestino nas últimas 24h. No entanto, se você estiver constipada, poderá a qualquer momento solicitar uma aplicação.

4) Liberdade para caminhar.
Explicação: Caminhar estimula o útero a funcionar eficientemente. Os trabalhos de parto que incluem livre caminhar são mais curtos e menos propensos a receber medicamentos analgésicos.

5) Liberdade para mudar de posição.
Explicação: Sentar, deitar de lado, ajoelhar, acocorar, cada posição pode funcionar melhor ou ser mais confortável em diferentes momentos do trabalho de parto.

6) Uso da água no trabalho de parto.
Explicação: Passar parte(s) do trabalho de parto sob o chuveiro ou imersa numa banheira diminui a necessidade de medicamentos para dor.

7) Bebidas e alimentos com alto teor de carboidratos e pouca gordura à vontade.
Explicação: Alimentos ricos em carboidratos e pobres em gordura permitem digestão rápida e suprimento energético necessário durante o trabalho de parto. Líquidos previnem a desidratação.

8) Água e bebidas leves.
Explicação: Você pode ficar com a sensação de boca seca por causa das técnicas de respiração.

9) Objetos pessoais (camisola pessoal, música, flores).
Explicação: Objetos familiares podem melhorar a experiência do parto ao permitir um melhor relaxamento e mais conforto.

10) Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) apenas se desejado.
Explicação: A raspagem dos pelos não diminui a incidência de infecções e o crescimento no período de pós-parto pode ser bastante desconfortável.

11) Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica.
Explicação: A infusão intravenosa restringe a mobilidade e interfere no relaxamento. A ingestão de líquidos leves no trabalho de parto reduz a chance de desidratação. As hemorragias em partos espontâneos e não medicamentosos são muito raras para justificar o uso de infusão preventiva.

12) Monitoramento fetal eletrônico apenas se houver indicação médica.
Explicação: Em parturientes de baixo risco, a auscultação intermitente dos batimentos cardíacos fetais por uma enfermeira ou parteira treinada demonstrou ser tão efetivo quanto o uso do monitoramento fetal eletrônico. Além disso, o aparelho restringe o movimento, podendo ser também bastante incômodo. Geralmente as mulheres são instruídas a deitar de costas, posição que pode ser muito desconfortável e ter ação negativa sobre o trabalho de parto e o bebê. O uso intermitente do monitor pode ser uma alternativa.

13) Rompimento espontâneo da bolsa das águas.
Explicação: O líquido amniótico contido na bolsa tem um efeito de proteção, equalizando a pressão sobre o bebê, o que resulta em menos pressão na cabeça. O rompimento artificial das membranas aumenta as chances de infecção e cria um limite de tempo para o parto, além de resultar em contrações geralmente mais dolorosas.

14) Medicação para alívio da dor administrada apenas quando solicitado por você e com informações completas sobre possíveis efeitos sobre você, o bebê e o trabalho de parto.
Explicação: Todo e qualquer medicamento tem um efeito potencial que pode afetar você, seu bebê e seu trabalho de parto. Saber de antemão os benefícios e riscos dos medicamentos usados pelo médico permitem que você faça escolhas conscientes.

15) Presença de acompanhante de parto profissional para suporte contínuo (massagista, fisioterapeuta, doula, enfermeira ou obstetriz sem vínculo com o hospital).
Explicação: Um profissional experiente, que tenha um comprometimento com você em relação ao tipo de parto que você deseja, pode oferecer importantes informações adicionais. A presença de uma doula pode reduzir suas chances de ter uma cesárea em até 50%, tornar o trabalho de parto mais curto, fazer o uso de ocitocina menos necessário, reduzir a necessidade de anestesia e de uso do forceps. Uma massagista ou terapeuta corporal pode utilizar técnicas de alívio dos desconfortos do parto.

16) Ocitocina ou drogas de efeito similar para indução ou aceleração do trabalho de parto apenas sob necessidade médica.
Explicação: As contrações induzidas por ocitocina são mais difíceis de serem suportadas do que as contrações naturais, tanto para você como para o bebê. Os riscos do parto induzido incluem restrição do suprimento de oxigênio do bebê e parto prematuro. As complicações decorrentes do uso de ocitocina podem aumentar as chances de uma cesárea ser necessária.

17) Uso de suíte de parto ou a mesma sala/quarto para o trabalho de parto e parto.
Explicação: Isso evita que você seja transferida às pressas, geralmente deitada de costas numa maca, da sala de pré-parto para a sala de parto, durante a fase de expulsão. Muitos hospitais já oferecem as “suítes de parto” ou “LDR (Labor and Delivery Room)” onde a parturiente fica durante todo o trabalho de parto, parto e recuperação. O uso do apartamento fora do centro obstétrico para o parto normal de baixo risco, sem intervenções, também é uma excelente opção.

DURANTE O PARTO EM SI

Você Quer?
1) Posição para expulsão confortável (para você) e eficiente.
Explicação: A posição semi-reclinada (quase sentada), deitada sobre o lado esquerdo, de joelhos ou cócoras pode ser bem mais confortável do que ficar deitada de costas. Deitar de costas comprime o cóccix, diminui o diâmetro da pélvis, pode ser desconfortável e faz o útero pesar sobre artérias importantes, impedindo um bom fluxo sanguíneo. Acocorar-se faz diminuir o comprimento do canal de parto, aumenta a abertura da pélvis, e faz as contrações serem mais eficientes, já que o trabalho está sendo auxiliado pela gravidade.

2) Não usar estribos ou perneiras.
Explicação: A posição de litotomia, na qual você se deita de costas e coloca os pés nos estribos ou perneiras, faz com que o parto seja um esforço contra a gravidade e força você a empurrar o bebê para cima. Estribos abertos, embora dêem ao médico uma excelente visão do campo de trabalho, fazem o períneo esticar demasiadamente, aumentando as chances de laceração.

3) Episiotomia apenas se for necessário.
Explicação: Ao permitir que a cabeça do bebê emerja vagarosamente, apenas sob as forças uterinas, o períneo tem maiores chances de distensão, o que minimiza as chances de lacerações. A recuperação da episiotomia pode ser bastante desconfortável. A cicatriz muscular pode afetar posteriormente o prazer sexual. A episiotomia diminui o período expulsivo, podendo ser necessária em caso de sofrimento fetal ou se for preciso o uso do fórceps. Muitos profissionais de saúde fazem a episiotomia rotineiramente, independente de ser necessária, o que não tem qualquer justificativa aceitável.

4) Anestesia peridural ou raquidiana apenas se for necessária alguma intervenção cirúrgica ou a pedido materno.
Explicação: A anestesia é desnecessária na maioria dos partos sem complicações, sem o uso de ocitocina e com liberdade de posição. No caso de uma episiotomia, um anestésico local pode ser aplicado na hora.

5) Nascimento suave (Parto Leboyer).
Explicação: O nascimento Leboyer é uma atitude, mais que um procedimento. Diminui o trauma sensorial e físico do bebê na hora no nascimento.

6) Clampeamento do cordão apenas depois que parar de pulsar.
Explicação: O clampeamento tardio permite que o bebê continue recebendo oxigênio pelo cordão umbilical enquanto o sistema respiratório começa a funcionar. Diminui o risco de anemia em bebês até 6 meses.

7) O Pai corta o cordão umbilical.
Explicação: Aumenta a participação do pai no nascimento.

8) Bebê colocado imediatamente no seu colo (ou sobre a barriga ou nos seus braços).
Explicação: O contato imediato pele-a-pele é benéfico. Se mãe e bebê forem cobertos com uma manta, a temperatura do bebê é mantida.

9) Bebê amamentado assim que possível.
Explicação: A sucção do bebê estimula a produção materna de ocitocina, que induz o delivramento da placenta e reduz o sangramento pós-parto. O reflexo de sucção do bebê é mais forte nas primeiras horas após o nascimento. O colostro age como um laxativo, limpando o trato intestinal do bebê do muco e do mecônio.

10) Antibiótico oftálmico ou nitrato de prata apenas depois do período de formação do vínculo (primeiras horas após o parto).
Explicação: Esses produtos interferem na visão do bebê, que é muito importante durante o período de vínculo, logo após o parto. Caso a mãe não seja portadora de gonorréia, o nitrato de prata não tem qualquer utilidade e pode provocar conjuntivite química no recém-nascido.

11) Placenta expulsa espontaneamente da parede do útero.
Explicação: Tração ou massagem pode fazer com que parte do tecido placentário permaneça no útero, podendo provocar infecção e hemorragia pós-parto.

12) Vínculo precoce mãe-bebê.
Explicação: As primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento da ligação afetiva entre os pais e o bebê. Eles não deveriam ser separados em nenhum momento.

13) Tirar fotografias ou filmar durante o parto.
Explicação: São formas maravilhosas de se lembrar desses momentos incríveis, desde que não atrapalhem a concentração da mãe ou impeçam o pai de participar ativamente no auxílio à sua companheira. Algumas mulheres sentem-se constrangidas, discuta a questão antes.

PÓS-PARTO

Você Quer?
1) Amamentar.
Explicação: Em termos nutricionais, o seu leite é o alimento perfeito para o seu bebê. A amamentação é uma experiência emocionalmente gratificante tanto para o bebê como para a mãe e é econômica. Ajuda o útero a contrair e voltar mais rapidamente ao tamanho normal.

2) Não deverá haver separação entre mãe e bebê a menos que haja indicação médica.
Explicação: O contato contínuo mãe-bebê favorece a formação do vínculo entre eles. Aumenta as oportunidades para a equipe de enfermagem oferecer instruções sobre os cuidados com o recém-nascido. Os primeiros banhos podem ser dados no quarto da mãe.

3) Não oferecer ao bebê água, leite em pó (fórmulas), chupeta ou bicos.
Explicação: O oferecimento de bicos e mamadeiras ao bebê pode provocar confusão, já que exigem uma ação diferente da língua, comparada à da amamentação natural. Se o bebê é alimentado no berçário entre as mamadas, ele não vai sugar adequadamente para o estímulo mamário da produção de leite.

4) Alojamento conjunto 24 horas.
Explicação: Permite contato íntimo entre pais e bebê, favorecendo a formação do vínculo. Você poderá amamentar sob livre demanda e aprender os primeiros cuidados com seu bebê ainda sob a supervisão das enfermeiras.

5) Pai deverá ficar no apartamento com mãe e bebê até a alta.
Explicação: Reforça os laços familiares. Permite que o pai participe dos cuidados com o bebê. A maioria dos hospitais particulares oferece a possibilidade do pai ficar alojado com a mãe no apartamento privado.

6) Visitação à vontade dos irmãos mais velhos.
Explicação: Ajuda as crianças mais velhas a perceberem que você está bem. Encoraja a aceitação do novo bebê pelos irmãos.

EM CASO DE CESÁREA

Você Quer?

1) Escolha de médico, anestesia e hospital “amigos da mulher”, que permitam uma cesárea centrada na família.
Explicação: Uma seleção cuidadosa da equipe poderá garantir a participação da família, mesmo no caso da cesárea, tornando o processo mais humanizado.

2) Participação de um acompanhante de sua escolha durante a cesárea.
Explicação: A presença de uma pessoa querida poderá prover segurança emocional durante esse processo tão delicado, além de estar garantido por lei federal.

3) Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea.
Explicação: O trabalho de parto é a indicação de que o bebê está pronto para nascer. Esperando pelo início do parto diminuem substancialmente as chances de seu bebê nascer prematuro, já que nenhum outro exame pode garantir que os pulmões do bebê estejam maduros.

4) Ser informada de cada procedimento associado à cesárea (testes, tricotomia, sonda urinária, etc).
Explicação: Saber passo a passo o que está acontecendo, permite que você fique mais relaxada e mais participante do processo.

5) Tricotomia parcial (do abdome até a altura do osso púbico).
Explicação: Diminui o desconforto quando os pelos começam a crescer novamente, sem aumento nas chances de infecção.

6) Uso de anestesia peridural/raquidiana (não utilização da anestesia geral).
Explicação: Permite que você esteja acordada no nascimento do bebê e facilita a interação. Exceto pelas emergências, geralmente há tempo suficiente para se aplicar uma anestesia regional.

7) Rebaixamento do protetor ou uso de espelho na hora do nascimento.
Explicação: Permite que mãe e pai assistam ao nascimento do bebê e sintam-se mais integrados à experiência de nascimento.

8) Amamentação tão logo seja possível, mesmo na mesa de cirurgia ou na sala de recuperação.
Explicação: Isso dá à mãe e ao bebê as mesmas vantagens do aleitamento precoce obtido nos partos vaginais.

9) Vínculo precoce mãe-bebê.
Explicação: Segurar e tocar o bebê pode reduzir a ansiedade dos pais, além de trazer os benefícios do vínculo precoce.

10) Sem o uso de sedativos pós-operatórios.
Explicação: Sedativos podem provocar amnésia materna e atrapalham a interação mãe-bebê. Ao invés de sedativos, prefira usar técnicas de relaxamento. Lembre o anestesista.

11) Alojamento conjunto com flexibilidade.
Explicação: Permite que você cuide do bebê de acordo com suas possibilidades. Melhora as condições para o estabelecimento dos laços mãe-bebê e da amamentação. Além disso o pai pode participar dos cuidados nos primeiros dias. No entanto um berçário deveria estar disponível para que a mãe possa se recuperar da cesariana em melhores condições.
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Esses são os itens principais do Plano de Parto, porém outros podem ser acrescentados, como o início do Trabalho de Parto - com quem e onde gostaria de estar? Escutando alguma música, assistir filme, comer algo leve? São inúmeras opções; Informe-se. Parto não deve ter um modelo padrão, deve ser de acordo com as suas necessidades e desejos para que se torne algo gratificante, prazeroso e satisfatório...
Que este Plano de Parto possa contribuir para esta busca e realização desde momento!

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Quem já teve um parto, como foi? Fizeram Plano de Parto? Conseguiram apoio para realizá-lo? Conte sua experiência!


Fonte: Amigas do Parto
Imagem: http://mamamiaamamentar.files.wordpress.com/2011/03/orgasmicbirthpartoorgc3a1smico.jpg

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Criança, a alma do negócio

Ah, os processos de subjetivação... Nossos filhos sendo engolidos pela maré - e nós nem dos dando conta! Vamos aprimorar nosso olhar e não deixar - ou evitar ao máximo - que as referências dos nossos filhotes sejam televisão e consumo!
Vamos brincar mais, conversar, ler, se sujar com nossos filhos!! Eles precisam disso!!

Maravilhoso o documentário!! Vale a pena se visto, debatido, comentado e compartilhado! 


Sinopse:
Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Maria Farinha Produções